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Endometriose: doença que atinge mulheres que tentam engravidar depois dos 30

Uma em cada dez brasileiras sofre de cólicas fortíssimas e tem dificuldade para engravidar. Mais da metade delas não sabe, mas sofre de endometriose, o mal do século entre as mulheres que optaram por ter filhos depois dos 30. A boa notícia é que, com diagnóstico precoce e o tratamento correto, é possível superar a doença.

Foram décadas de luta para as mulheres terem o direito de retardar a maternidade, investir na carreira e escolher com quem, como (e se) querem casar. Demorou, mas a sociedade parece ter entendido – só que a natureza não. Nada menos que 6 milhões de brasileiras têm endometriose, a chamada “doença da mulher moderna”, pois acomete principalmente mulheres por volta dos 30 anos, que ainda não têm filhos, trabalham muito e vivem em grandes centros urbanos. O mais assustador é que ela é, hoje, a principal causa da infertilidade feminina. 

Todos os meses, por influência dos hormônios do ciclo menstrual, o endométrio (a camada interna do útero) fica mais vascularizado e aumenta de tamanho para esperar uma possível gravidez. Se ela não acontece, o endométrio descama e é eliminado em forma de menstruação. A enfermidade acontece quando algumas células do endométrio, em vez de ser eliminadas, sobem pelas trompas e se alojam em órgãos da cavidade abdominal.
Com o tempo, os locais onde as células “grudaram” inflamam e viram nódulos, que causam dor. Em geral, eles aderem aos ovários, mas podem atingir também o útero por fora, as trompas, o intestino, a bexiga e, em casos graves, os rins e até o pulmão.

Os principais sintomas são cólicas fortes e incapacitantes, desconforto intestinal e dor durante o sexo.  A doença interfere na fertilidade porque pode impedir a mobilidade das trompas, responsáveis pelo transporte do óvulo ao útero. Se não for tratada, a mulher pode perder os ovários, as trompas, o útero e partes da bexiga e do intestino. Se chegar ao pulmão e aos rins, o risco de morte é enorme.

Uma das principais causas da endometriose é que, hoje, as mulheres engravidam mais tarde e têm menos filhos, portanto, menstruam mais – cerca de 400 vezes contra 40 no início do século 20. Assim, há mais endométrio preenchendo a cavidade abdominal. Estudos recentes apontam para alterações no sistema imunológico, o que também explica a maior incidência em relação a duas gerações atrás.

O estresse também é um elemento importante no desenvolvimento da doença, já que promove picos de adrenalina, substância associada à liberação de estrógeno, hormônio feminino que alimenta as células do endométrio fazendo com que cresçam mais rapidamente. Por tudo isso, é uma doença bem mais comum em cidades grandes.
Apesar de atingir mais de 170 milhões de mulheres no mundo, a endometriose é desconhecida por mais de metade das brasileiras. Uma pesquisa feita no ano passado pela SBE (Sociedade Brasileira de Endometriose) mostrou que 53% delas nunca ouviram falar na doença. A falta de informação sobre o problema e seus sintomas turbina a curva ascendente do número de casos, mas a culpa pela demora do diagnóstico não é só das mulheres.

Para a especialista em TI Fabiana Cayres Rodrigues, de 33 anos, o diagnóstico demorou mais de dez anos. Desde os 20 ela sofria com cólicas tão fortes que a fazia desmaiar e ir parar no pronto-socorro, mas só aos 31 soube o motivo. Quando descobriu a endometriose, Fabiana foi do céu ao inferno em instantes. Até ali, vivia uma história digna de conto de fadas. Depois de se apaixonar pelo futuro marido em 2011, foi pedida em casamento no topo do Terraço Itália, um dos prédios mais altos de São Paulo, com direito a noivo de joelhos. Disseram o “sim” diante de 120 convidados na tradicional Igreja Nossa Senhora do Brasil e passaram uma lua de mel de um mês em Paris.
O capítulo seguinte do romance já estava planejado: teriam logo o primeiro filho. Aí veio a bomba: as dores incapacitantes eram resultado de uma endometriose profunda, instalada no intestino, na bexiga, no apêndice, nos ureteres (quase chegando aos rins), nos dois ovários e atrás do útero. “Meu caso já estava tão grave que nem se considerou um tratamento, tive que ir direto para a cirurgia”, afirma.

Na maioria dos casos, a endometriose pode ser operada por laparoscopia, uma cirurgia pouco invasiva que permite o acesso ao interior da pelve por meio de uma microcâmera. Em casos mais graves como o de Fabiana, no entanto, é necessária uma cirurgia de grande porte. 

Até conseguir engravidar, Fabiana fez quatro fertilizações, uma inseminação, e enfrentou dois abortos. Mas a alegria estava próxima: na fertilização seguinte, dois embriões se desenvolveram. “Ao contrário de muitas mulheres na mesma situação que eu, me mantive otimista: nunca considerei que não pudesse ter meu filho”,  diz.  “Enfrentei períodos muito difíceis, mas sempre pensei: vou dar um jeito e conseguir ter meu bebê. E agora são dois, a Mariana e o Gabriel. Ouvir o coraçãozinho deles no ultrassom foi, sem dúvida, o dia mais feliz de toda a minha vida.”

O medo de não conseguir ser mãe também assombra a atriz Fernanda Machado, que no ano passado tornou pública sua luta contra a endometriose. Ela detectou a doença em 2012, depois que as cólicas ficaram tão fortes que acordava no meio da noite, sem conseguir respirar. “A primeira coisa que me veio à cabeça quando recebi o diagnóstico foi: ‘Será que vou poder ser mãe?’ .Essa doença é muito assustadora para a mulher”, diz.

Como estava gravando a novela “Amor à Vida”, Fernanda tentou um tratamento alternativo. “Coloquei um implante de progesterona, o hormônio da gravidez, assim enganava meu corpo e não menstruava. Como ainda não existe cura definitiva para a endometriose – a cirurgia elimina os nódulos, mas não previne que novos cresçam, o maior recurso para impedir seu crescimento é a interrupção do fluxo menstrual.

O implante foi muito eficaz para as cólicas, que, segundo Fernanda, melhoraram 90%. Mas os nódulos continuaram a crescer, fazendo com que ela perdesse o medo e encarasse a cirurgia, mesmo com a novela ainda no ar.  Logo depois da laparoscopia, colocou outro implante de progesterona. “Há um mês o retirei e vou tentar engravidar, estou confiante”, diz ela, que se casou com o empresário americano Robert Riskin no início do ano passado.


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